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Entrevista #50 EKOPRIMEIRO

  • Foto do escritor: Da Chic Thief
    Da Chic Thief
  • 16 de jan. de 2022
  • 10 min de leitura

Atualizado: 29 de jun. de 2023

PT

Foi em Abril de 2019 que me iniciei nas andanças da Arte Urbana. Sem ligações anteriores ao movimento, abri a minha conta de Instagram na qual fui publicando as fotos das peças que ia descobrindo nos meus passeios fotográficos ou nas explorações a edifícios abandonados.


Mais do que mostrar as novidades, optei por fazer destaques dos diversos artistas e writers com que me ia "cruzando".


Algum tempo mais tarde, com a criação do site / blog, quis dar a conhecer um pouco melhor os autores das obras magníficas que dão vida e cor às paredes das ruas por onde passamos diariamente.



Um ano e meio depois, chego hoje à marca das 50 entrevistas e o meu convidado é o master Ekoprimeiro.


Com 25 anos de ligação ao spray, Eko é um dos grandes promotores / dinamizadores da cultura do graffiti na grande Lisboa, através dos workshops, exposições e eventos promovidos pela sua loja (Dedicated Store). O seu estilo pesado e espírito agregador fazem dele uma presença constante nas jams (com nomes sonantes e novas promessas do graff nacional) em locais mais ou menos conhecidos de Lisboa, Seixal, Barreiro ou Montijo e das quais resultam verdadeiras pérolas que fazem as delícias dos graffiti hunters.


de / by Contra


Muito obrigado ao Bruno pela entrevista.


Quero ainda agradecer aos restantes entrevistados e a um conjunto de pessoas que me têm dado o seu apoio desde o arranque deste projeto: Avô, Branquinho, Marina Aguiar, Wojtek Ścibor, Pluzbrut, Raps, Khemeteye (autor do logo antigo), Ana Luísa Vaz, Kaen, Kaz, Cab, Risko, DMC (from Alentexas), Draner (autor do novo logo), Amor, Rope e Tutti Fruty. A todos vocês, um grande obrigado.


E que venham mais 50!



Tens formação em arte?


Não, a minha formação não tem nada a ver com artes.


Quando começou o teu interesse pelo graffiti e quais foram as tuas influências na altura?


O meu interesse começou por volta de 1996/97, sendo que foi em 1997 que fiz a minha primeira peça de graffiti, influenciado, principalmente, pelo Dose (que era do meu bairro) e pelo Broke, Nor e Pause (que eram da minha escola). Claro que já havia a malta mais velha mas que eu ainda não conhecia. Só mais tarde comecei a ver as suas peças ou ter mais entendimento daquilo que via na rua.


Essa parte da consciencialização também é importante. Sabermos quem estava cá antes de nós faz-nos ter mais responsabilidade. Ser writer é uma responsabilidade. Cada writer deve defender aquilo que faz e esse compromisso tem que ser real.


Como era a cena no graffiti quando começaste?


Éramos menos e havia menos informação, mas, olhando para trás, acho que o que havia era o que precisávamos para fazer o que fizemos. Estávamos, numa base diária, a dar tags nos autocarros e comboios. A actividade era diferente.


Foi bom ter participado nesse crescimento do graffiti, no fim dos anos 90. Poder fazer parte do mesmo movimento underground que os PRM, GVS, SKTR, FDP, FYA, AT, WC, foi um privilégio.


Ya eu era um puto, na altura, mas não estava a dormir. Ainda não havia telemóveis nem net no bolso mas não era alienado da realidade.



Quais são as tuas crews?


FM, GVS, BIG e MLC.


O que é para ti um bom dia de pinturas?


Estar a pintar já é bom só por si, mas com amigos e boa música fica melhor.


Sentes que já alcançaste um estilo próprio? Como o classificas?


Sim, pelo menos sei que o meu estilo é meu e, independentemente de ser bom ou mau, tem a minha identidade. Posso considerá-lo como wildstyle.



O que toca na tua playlist quando pintas?


Rap Tuga ! Mundo Segundo, Sam the kid, Nerve, Gula...


Para além do graff, és um conhecedor e colecionador de música. Como surgiu a tua ligação aos Micro?


Música Rap essencialmente, comecei com as cassetes e fui comprando o que ia saindo. Tanto comprei que, quando dei por mim, já tinha alguma coisa no quarto.


Com os Micro foi através do rap, claro, Depois, com a Dedicated, ficámos mais próximos.



Como surgiu a tua ligação à Dedicated?


Surgiu em 2005/06, quando Babak abriu a loja em Lisboa. Mais tarde, em 2009/10, quando o Ivan reabriu a loja os laços ficaram mais fortes. E em 2016 é que surgiu a possibilidade de a Dedicated ser minha.


Como descreves o panorama atual do graffiti em Portugal? O que achas que pode melhorar?


O Graffiti cresceu, transformou-se. Há varias maneiras de ver isto, mas, no fim, o importante é nós gostarmos de pintar. O graffiti não melhorou nem piorou, quem tem que mudar são as pessoas e as suas atitudes. O ego vai estar sempre implícito nisto, nós escrevemos o nosso nome, é a nossa personalidade que está na parede, a nossa humildade e a nossa prepotência é que estão lá e isso é que muda o graffiti. O que adianta querer mudar uma coisa se quem o faz não muda?


Acho sinceramente que o graffiti tem um impacto brutal na sociedade e a prova é a maneira como a própria cidade já se molda a isso.


No fim de contas, o importante é pegares em qualquer coisa e escreveres o teu nome.


Como te sentes enquanto mentor das novas gerações do graffiti?


Mentor não digo, mas se conseguir motivar e influenciar mais malta a pintar já fico feliz.



Em quantos países já pintaste?


Já pintei em alguns países da Europa e da África.


Qual foi o local mais incrível em que já pintaste?


Portugal tem muitos spots brutais mas, fora de Portugal... talvez Joanesburgo, Nampula e Maputo.



Qual é o teu top 3 de writers portugueses?


3 é pouco... somos poucos mas também não somos assim tão poucos... Posso referir alguns nomes que me influenciaram e ainda influenciam, mas sem ordem de importância, porque cada um é como cada qual: Mosaik, Obey, Dose, Jota, Exas, Creyz, Rote, Wize, Siré, Seux, Eith.


E de writers estrangeiros?


Essencialmente, Bates, Swet e Seen.


Qual foi aquele writer que seguias como fã e julgavas inalcançável até acabares a pintar com ele? Com que writer ainda gostarias de fazer uma peça conjunta?


Se calhar um destes estrangeiros que mencionei. Se conseguir pintar com um deles será um feito.


Mas nunca me esforcei para isso. Sempre pintei com os meus amigos e com malta que quis pintar, sou feliz assim.



Qual é aquela que consideras a tua melhor obra, aquela que te deu mais luta e aquela que ainda te falta fazer?


Tenho várias peças que considero as melhores, umas pelo estilo das letras apenas e outras pelo conjunto do backgroung e da peça, é variável.


Pode haver sítios em que ainda queira ir pintar como NY ou Rússia, por exemplo, mas a peça em si que falte fazer só a peça de amanhã.


Não te faltam ideias e inovações, tanto ao nível do graffiti como da loja. Quais são os teus planos / projetos futuros?


Os planos vão se adaptando à vida e a vida a eles. Há várias ideias na gaveta mas nada de concreto por agora.


A ideia é continuar a pintar sempre que puder.



Em tantos anos ligados ao graffiti, já viste muitos writers e crews ficarem pelo caminho. O que te mantém forte na tua ligação ao movimento?


Cada um sabe os motivos da sua desistência ou permanência. Por enquanto, ainda não me cansei disto, amanhã não sei. Mas sei que, até agora, o amor que tenho ao graff tem sido superior e é por isso que ainda continuo a pintar.


Props?


"Limpa a boca, sacode a roupa, agora pira-te. Tu pensavas-te o mais pirata? Mal vestido com cinco ou seis anéis de prata?" - Blasph


De / by Sara Deodato Fotografias / Photos: Ekoprimeiro


ENG

It was in April 2019 that I started to explore Urban Art. With no previous connections to the movement, I opened my Instagram account where I posted photos of the pieces I discovered on my photographic walks or on my explorations of abandoned buildings.


More than showing the news, I chose to highlight the various artists and writers I was "crossing" with.


Some time later, with the creation of the website / blog, I wanted to make known a little better the authors of the magnificent works that give life and color to the walls of the streets we pass daily.


A year and a half later, today I reach the mark of 50 interviews and my guest is master Ekoprimeiro.


With 25 years of connection to spray, Eko is one of the great promoters of graffiti culture in great Lisbon, through workshops, exhibitions and events promoted by his store (Dedicated Store). His heavy style and aggregating spirit make him a constant presence in jams (with big names and new promises of national graff) in more or less known places in Lisbon, Seixal or Montijo and which result in true gems that delight graffiti hunters. Many thanks to Bruno for the interview.


I also want to thank the rest of the interviewees and a group of people who have given me their knowledge and support since the beginning of this project: Avô, Branquinho, Marina Aguiar, Wojtek Ścibor, Pluzbrut, Raps, Khemeteye (author of the old logo), Ana Luísa Vaz, Kaen, Kaz, Cab, Risko, DMC (from Alentexas), Draner (author of the new logo), Amor, Rope and Tutti Fruty. To all of you, a big thank you.


And 50 more to come!


Do you have art training?


No, my training has nothing to do with the arts.


When did your interest in graffiti begin and what were your influences at the time?


My interest started around 1996/97, and it was in 1997 that I made my first graffiti piece, influenced mainly by Dose (who was from my neighborhood) and by Broke, Nor and Pause (who were from my school). Of course, there was already the older crowd but I still didn't know them. Only later did I begin to see their pieces or have a better understanding of what I saw on the street.


This part of awareness is also important. Knowing who was here before us makes us more responsible. Being a writer is a responsibility. Every writer must defend what he does and that commitment has to be real.


What was the graffiti scene like when you started?


We were less and there was less information, but looking back, I think what there was was what we needed to do what we did. We were, on a daily basis, tagging buses and trains. The activity was different.


It was good to have participated in the growth of graffiti in the late 90s. Being able to be part of the same underground movement as PRM, GVS, SKTR, FDP, FYA, AT, WC, was a privilege.


Yeah, I was a kid at the time, but I wasn't sleeping. There were still no cell phones or internet in my pocket but I was not alienated from reality.


What are your crews?


FM, GVS, BIG and MLC.


What is a good day of paintings for you?


Painting is good on its own, but with friends and good music it gets better.


Do you feel like you've already achieved your own style? How do you describe it?


Yes, at least I know that my style is mine and, regardless of whether it's good or bad, it has my identity. I can consider it wildstyle.


What plays on your playlist when you paint?


Rap Tuga! Mundo Segundo, Sam the kid, Nerve, Gluttony...


In addition to graff, you are a music connoisseur and collector. How did your connection to Micro come about?


Rap music essentially, I started with the cassettes and bought what was coming out. I bought so much that when I realized I already had something in the room.


With Micro it was through rap, of course. Then, with Dedicated, we became closer.


How did your connection to Dedicated come about?


It emerged in 2005/06, when Babak opened a store in Lisbon. Later, in 2009/10, when Ivan reopened the store, the bonds became stronger. And in 2016 the possibility arose of Dedicated being mine.


How do you describe the current situation of graffiti in Portugal? What do you think can improve?


Graffiti grew, transformed. There are many ways to look at this, but in the end, the important thing is that we like to paint. Graffiti hasn't gotten better or worse, it's people and their attitudes that have to change. The ego will always be implicit in this, we write our name, it is our personality that is on the wall, our humility and our arrogance are there and that is what changes graffiti. What's the point of wanting to change something if those who do it don't change?


I honestly think that graffiti has a brutal impact on society and the proof is the way the city itself is already shaped by it.


At the end of the day, the important thing is to take something and write your name.


How do you feel as a mentor to the new generations of graffiti?


Mentor I won't say, but if I can motivate and influence more people to paint, I'm happy.


In how many countries have you painted?


I've painted in some countries in Europe and Africa.


What was the most amazing place you've ever painted?


Portugal has many brutal spots, but outside Portugal... maybe Johannesburg, Nampula and Maputo.


What is your top 3 of Portuguese writers?


3 is little... we are few but we are not that few either... I can mention some names that influenced me and still influence me, but in no order of importance, because each one is like each other: Mosaik, Obey, Dose, Jota, Exas, Creyz, Rote, Wize, Siré, Seux, Eith.


And from foreign writers?


Essentially Bates, Swet and Seen.


What was that writer you followed as a fan and thought unreachable until you ended up painting with him? Which writer would you still like to do a joint piece with?


Maybe one of those foreigners I mentioned. If you can paint with one of them it will be a feat.


But I never made the effort. I've always painted with my friends and with the people I wanted to paint, I'm happy like that.


Which one do you consider your best work, the one that gave you the most struggle and the one that you still have to do?


I have several pieces that I consider the best, some just for the style of the letters and others for the set of the backgroung and the piece, it's variable.


There may be places where I still want to go paint, like NY or Russia, for example, but the piece that needs to be done is only tomorrow's piece.


There is no shortage of ideas and innovations, both in terms of graffiti and the store. What are your future plans/projects?


Plans adapt to life and life to them. There are several ideas in the drawer but nothing concrete for now.


The idea is to continue painting whenever I can.


In so many years linked to graffiti, you've seen many writers and crews get in the way. What keeps you strong in your connection to the movement?


Everyone knows the reasons for their withdrawal or stay. I haven't had enough of this for now, I don't know tomorrow. But I know that, until now, the love I have for graff has been superior and that's why I still continue to paint.


Greetings / thanks?


"Wipe your mouth, shake off your clothes, now go away. Did you think you were the most pirate? Barely dressed with five or six silver rings?" - Blasph

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