Entrevista #77 CHURE
- Da Chic Thief
- 1 de jan. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 2 de jul. de 2023
PT
Foi entre Almada e Lisboa que fotografei as primeiras peças do meu novo convidado. A pintar desde o final dos '90, o writer já marcou presença em algumas jams da MOSA e no grande mural das Amoreiras.

Com ligação à Margem Sul, é comum encontrar as suas peças espalhadas pelos edifícios abandonados, pelas wall of fame ou pela já famosa parede de Natal da crew, nos quais, sozinho ou com os "seus" Thunders, gosta de aprimorar a sua técnica.
Ao flow do seu lettering gosta de aliar alguns characters, tendo preferência pelas personagens de animação e pelo imaginário do cinema.

Os confinamentos da Covid permitiram-lhe explorar novas técnicas e temas ao nível da pintura em tela.
Para o arranque de 2023, fiquem com a entrevista de Chure, com a convicção de que o writer ainda andará por aí por muitos e bons anos.
Qual é o significado do teu tag?
Na verdade, não tem nenhum.
Surgiu quando estava a desenhar um cenário de um muro com vários tags e pieces de amigos e writers que eram bastante ativos na altura. Do nada, fiz o tag “Chure” e pensei "esta conjugação é boa, sonante e ninguém a usa". É desde aí que uso o nome.
Quando começou o teu interesse pelo graffiti e quais foram as tuas influências na altura?
Começou por volta de 1999 (apesar de sempre ter gostado de desenhar), quando eu e mais um grupo de amigos fomos à Station no Barreiro e, pelo caminho, vimos vários graffs do Colman, Toots, Pinhal… um dia, resolvemos comprar latas e experimentar também.

Como era a cena no graffiti quando começaste?
Para mim foi mágico. Eu diria que foi a altura em que mais houve writers ativos em Portugal. Qualquer adolescente tinha sempre um marcador consigo e mesmo que nunca tivesse feito um piece era tagger. O acesso a revistas e à internet estavam a começar a aparecer e as connections com outros writers começaram a ser mais fáceis, assim como o acesso a latas (Montana hardcore, true colorz).
Em tantos anos, viste muitos writers e crews ficarem pelo caminho. O que te mantém forte na tua ligação ao movimento?
Talvez o facto do meu núcleo de amigos próximo continuar a pintar e isso é a minha principal motivação.
Como descreves o panorama atual do graffiti em Portugal? O que achas que pode melhorar?
Acho que as coisas vão acontecendo saudavelmente, mas, na minha opinião, faltam jams a sério como antigamente. A cena de juntar no mesmo festival toda a comunidade de graff de Portugal dá-me alguma nostalgia.
Já passaste por vários festivais e jams de graffiti? Houve algum que te tenha marcado em particular?
O feeling no Festival Roskilde na Dinarmarca foi muito bom. Graffiti all day, party all night, com todas as condições possíveis para os writers.

Como é o teu processo criativo e onde vais buscar as inspirações para as tuas obras?
Ultimamente, baseio-me nos meus pieces antigos e tento sempre melhorar aquilo que já não acho tão bom (letras, encaixes entre elas, etc…), mas todo o campo visual é sempre válido como inspiração.
Como classificas o teu estilo?
Não sei que rótulo lhe meter, é o que eu gosto de pintar. Mas, no fundo, é um cocktail de inspirações e tendências adquiridas ao longo dos anos. Sinto que pinto algo que transmite o “graffiti mais clássico”, se assim puder chamar.
O que é para ti um bom dia de pinturas?
Levantar cedo, Amigos, uma boa parede, dizer merda, rir e comer pizza…
Pintas com sketch ou freestyle?
Quase sempre em freestyle, apesar de desenhar em casa (não tanto quanto devia). Sinto que o flow que quero ter nos pieces sai mais naturalmente em larga escala.

O que toca na tua playlist quando pintas?
Também pintas em tela. Quando vai ser a próxima exposição?
Comecei a pintar mais em tela com a situação da pandemia e com os consequentes lockdowns. Foi a forma de me sentir ativo e a desculpa para arranjar tempo para testar algumas técnicas e temas bastante diferentes e que há muito tempo tinha vontade de fazer.
Não tenho nenhuma exposição em vista de momento, até porque o que tenho feito mais são trabalhos comissionados, mas estou sempre aberto a novos convites.
Fazes parte da Thunders Crew. Como te sentes a pintar, há tantos anos, com esses vultos do graffiti nacional?
Sinto-me orgulhoso de todos e da forma como cada um se eleva a si próprio e ao nome da Crew.
Qual é o teu top 3 de writers portugueses?

E de writers estrangeiros?
Com que writer gostarias de fazer uma obra em conjunto?
Cantwo, que é o meu writer preferido de sempre.
Que conselho darias à nova geração de writers?
Entendam a história passada e as origens disto, mas daqui para a frente são vocês que a vão escrever. Façam-no da melhor forma que conseguirem.
Quais são os teus planos / projetos futuros?
A longo prazo, nunca parar de pintar… Para o ano 2023, ser um pouco mais regular a pintar, mas há as logísticas da vida…

Tens alguma história que queiras partilhar?
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Props?
Ao meu Crew THUNDERS e a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte do panorama do graff nacional e o ajudaram a elevar ao patamar atual.
Fotografias / Photos: Chure & Da Chic Thief
ENG
It was between Almada and Lisbon that I photographed the first pieces of my new guest. Painting since the end of the '90s, the writer has already been present in some MOSA jams and in the great mural of Amoreiras.
Connected to the South Bank, it is common to find his pieces scattered around abandoned buildings, on the wall of fame or on the already famous crew Christmas wall, where, alone or with "his" Thunders, he likes to improve his technique.
He likes to combine some characters with the flow of his lettering, with a preference for animation characters and cinema imagery.
The Covid confinements allowed him to explore new techniques and themes in terms of painting on canvas.
For the start of 2023, stay with Chure's interview, with the conviction that the writer will still be around for many good years.
What is the meaning of your tag?
In fact, it has none.
It came about when I was designing a wall scene with various tags and pieces from friends and writers who were quite active at the time. Out of nowhere, I tagged “Chure” and thought "this conjugation is good, it sounds and nobody uses it". That's where I've been using the name.
When did your interest in graffiti start and what were your influences at the time?
It started around 1999 (although I always liked to draw), when a group of friends and I went to the Station in Barreiro and, along the way, we saw several graffs by Colman, Toots, Pinhal… one day we decided to buy cans and try them out also.
What was the graffiti scene like when you started?
For me it was magical. I would say that was the time when there were more active writers in Portugal. Any teenager always had a marker with him and even if he had never made a piece he was a tagger. Access to magazines and the internet were starting to appear and connections with other writers started to be easier, as well as access to cans (Montana hardcore, true colorz).
In so many years, you've seen many writers and crews fall by the wayside. What keeps you strong in your connection to the movement?
Perhaps the fact that my core of close friends continue to paint and that is my main motivation.
How would you describe the current scenario of graffiti in Portugal? What do you think can improve?
I think things are happening healthily, but, in my opinion, there's a lack of serious jams like in the old days. The scene of bringing together the entire graff community in Portugal at the same festival gives me some nostalgia.
Have you been to several graffiti festivals and jams? Was there anything that stood out to you in particular?
The feeling at the Roskilde Festival in Denmark was very good. Graffiti all day, party all night, with all possible conditions for writers.
What is your creative process like and where do you get inspiration for your works?
Lately, I base myself on my old pieces and I always try to improve what I don't think is so good (lyrics, fittings between them, etc…), but the whole visual field is always valid as inspiration.
How do you rate your style?
I don't know what label to put on it, it's what I like to paint. But, deep down, it's a cocktail of inspirations and trends acquired over the years. I feel that I paint something that conveys the “most classic graffiti”, if you can call it that.
What is a good painting day for you?
Up early, friends, a good wall, say shit, laugh and eat pizza...
Do you paint with sketch or freestyle?
Almost always freestyle, despite drawing at home (not as much as I should). I feel like the flow I want to have in the pieces comes out more naturally on a larger scale.
What plays on your playlist when you paint?
Also paints on canvas. When will the next exhibition be?
I started to paint more on canvas with the pandemic situation and the consequent lockdowns. It was the way to feel active and the excuse to find time to test some very different techniques and themes that I had wanted to do for a long time.
I don't have any exhibitions planned at the moment, also because what I've been doing mostly are commissioned works, but I'm always open to new invitations.
You are part of the Thunders Crew. How do you feel painting, for so many years, with these figures of national graffiti?
I am proud of everyone and the way they each elevate themselves and the Crew name.
What is your top 3 of Portuguese writers?
What about foreign writers?
Which writer would you like to do a work with?
Cantwo, who is my favorite writer ever.
What advice would you give to the new generation of writers?
Understand the past history and the origins of this, but going forward it is you who are going to write it. Do it the best way you can.
What are your future plans/projects?
In the long term, never stop painting… For the year 2023, be a little more regular in painting, but there are the logistics of life…
Do you have a story you want to share?
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Props?
To my Crew THUNDERS and to all the people who are or were part of the national graff scene and helped raise it to the current level.
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